quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Moby Dick
Foi quando cheguei ao sétimo ano que me estreei (ou não) no amor.
Na fila de almoço, havia um rapaz que olhava para mim. Pelas minhas contas tinha 15 anos (elá!), e andava no nono.
Eu sabia como se chamava (mas não vou escrever para salvaguardar a sua identidade e por questões para lá de óbvias), o que nunca soube foi como conseguiu arranjar o meu número.
Mas a verdade é que conseguiu, e mandou-me mensagem quando íamos a caminho da melhor visita de estudo de sempre (o ponto alto da minha vida social no sétimo ano): íamos visitar o Badoca Park!
O tal rapaz não esteve com rodeios e foi direto ao assunto: explicou quem era e perguntou-me se queria namorar com ele. E eu...quis.
Se houve "amo-te" mal empregado na história, aquele foi um deles. Aliás, foram vários, numa mensagem com muitos @@@ (que eu na altura não sabia, mas mais tarde descobri que significavam linguados, mas isso é assunto para outra história).
Nessa semana, fomos dar uma volta à escola. Encontrei-o no pavilhão, no inter-turmas de futsal. Conseguiu beijar-me, mas só na testa.
De qualquer forma, foi uma estreia que deu que falar entre as minhas amigas. Elas confundiam-lhe o nome e chamavam-lhe Moby Dick. Queriam saber como era, o amor. Nem eu sabia. No diário, escrevi que tinha agora o meu primeiro namorado, mas que continuava a ser politeísta (na verdade, queria dizer polígama). Não me orgulho das minhas teorias desta época.
Por muitos caminhos que este namoro pudesse ter tomado, optou pelo mais óbvio. A volta à escola ficou filha única, tal como o beijo na testa.
Não voltei a falar com o Moby Dick, mas ele refez-se rápido: na semana seguinte, vi-o aos beijos com uma loira do nono ano, e não eram beijos na testa. Surpreendentemente ou não, não me importei nem um bocadinho.
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